9 de jun de 2014

Fim de um belo Ciclo

           
Durante os últimos um ano e cinco meses, provei para mim mesmo que é possível ocupar espaços e responder com sabedoria também para mim mesmo que pode-se sim ter compromisso sem que para isto eu precisasse babar ovo, bajular quem estivesse acima de mim e primordialmente, se sentir útil a sociedade e mais ainda:  Sem me vender da forma que fosse, politicamente, ainda mais.   Não sou o primeiro nem único.
Quando eu aceitei o desafio de retornar a Fundação José Augusto/SECULTRN tinha em mim a necessidade de provar para o mundo que eu tenho competência, compromisso com o que faço, ética e amor a tudo que eu me dedico a fazer. Havia também necessidade financeira, já que o preconceito político nesse nosso estado provinciano faz com que as oportunidades nos afaste do que merecemos muitas vezes. Passei um ano e meio sem fazer nenhum trabalho que me desse condições de dignidade. Mas eu sempre estive com os meus princípios e valores e estes, carrego comigo onde quer que vá. Por isso fui convidado a fazer parte deste novo tempo na FJA.
Consegui graças a este tempo de dedicação e devoção para esta instituição que me fez mais humano e tendo a dimensão do que eu sou capaz. Lá tenho amigos que carrego comigo, e muitos nem tão amigos assim, porém, fundamentais em minha formação. Aqui fica o meu abraço e todo o meu carinho, tem também uma gama que me ensina no cotidiano como não devemos ser de forma alguma. Esta sim para mim é maior lição.
Preciso e tenho o dever de falar de uma pessoa em especial. Esta que é o maior enigma da minha vida. Ela é um misto de tudo que o ser humano precisa para compreender a vida e ser bem sucedido nela. Isaura, a quem todos a chama de Professora, esta mulher tem o dom do ensinamento. Ela ensina coisas do tipo: vencer-mos-nos diante os desafios que são dados e preferencialmente se eles nunca forem poucos. Ser capaz a cada instante. Está certo de que tudo é possível. Não foi fácil. Estes ensinamentos não se aprendem do dia pra noite e a academia também não disponibiliza destas disciplinas. Só a vida ou Isaura Amélia Rosado. A senhora é professora da vida.
Tenho muito orgulho de ter sido e permitido ser livre em ocupar um cargo de confiança e poder ser um importante canal do seguimento do qual eu represento que é extremamente complexo e que precisa de pessoas pacientes o suficiente para dar o devido olhar. Sei que o fiz. Os meus amigos e colegas das artes e da cultura popular, sempre que me procuraram teve um atendimento de excelência e respeito, não tenho modéstia de dizer, atendimento este antes era dado apenas a pessoas influentes e pseudo poderosas. Para mim, qualquer cidadão que me procurasse e que a mim fosse indicado, fiz o melhor que estava ao meu alcance, independentemente da relação que tivesse com o governo, com a instituição e claro, comigo. Esse é o dever de quem quer que ocupe esses espaços. Afinal, não passamos de funcionários pagos com os exorbitantes impostos arrecadados através do nosso suor cidadão.
Tive belas e grandes descobertas ao que foi realizado e no que se diz respeito aos meus amigos companheiros de trabalhos. Acho que deixo alguma lição útil também.
Alguns acham que estou saindo dessa gestão, com interesses políticos. Partidários, garanto que não. Artísticos, sempre. Preciso de dedicar-me exclusivamente a um projeto onde fui idealizador e ao longo do caminho envolvi pessoas que amo nele. Preciso de firmar esse compromisso com essas pessoas e comigo também que no ano passado abdiquei de noites sem dormir e mais o tempo que me restasse para que fosse possível realizar um trabalho artístico onde eu tivesse envolvido com excelência. Apresentar um novo conceito no cenário artístico teatral do RN, apostar na juventude como elo transformador da nossa sociedade.
A minha parceria permanece com a professora Isaura, onde quer que ela esteja. A confiança em mim e a “cara de pau” para que eu esteja e seja quem eu sou e onde estou (hoje muito mais respeitado) só agradeço a ela. Queria muito concluir o ciclo (missão) em dezembro, mas a arte me chama. Sei que é loucura minha, mas também sei que não estava fazendo um bom trabalho institucional e nem estava respondendo à altura ao meu próprio trabalho e os meus sonhos. Então, sei que optei pelo certo. Não se pode ter todo, mas podemos está bem em tudo. E é isso que eu quero. Num futuro não muito longe, ser reconhecido por tudo o que eu planto. Sei que não planto tempestade, mas pezinhos de sorriso e plantinhas de humanidade. Isso eu deixo por onde passo e mais uma vez foi assim na Fundação José Augusto. Meu muito obrigado, pelo que eu realizei. Minhas desculpas pelo que não foi possível realizar, minhas lamentações pelo que não realizei, pois o corpo e a mente também têm limites, pelas vezes que fui inconveniente, podem ter certeza, foi pelo bem da instituição. Mas acima de tudo, sei que a FJA, nunca mais será a mesma e que se pessoas com o meu espírito não a ocuparem, as coisas não funcionarão. Deixo o meu legado. Mas o que carrego, isto não tem preço. Há semanas que pretendo dizer algo sobre isto, mas só agora sei que posso dizer. Pois encontrei maturidade e primordialmente serenidade para seguir em frente, tendo a certeza que preciso olhar pra frente, mas com muito orgulho caso, queira ou precise olhar pra traz.